Vila de Alcáçovas

vila-de-alcacovasAlcáçovas é uma lindíssima freguesia pertencente ao concelho de Viana do Alentejo, situada na imensa região Alentejana, plena de história, tradição e paz de espírito. A freguesia de alvo casario rural animado por faixas coloridas que envolvem portas e janelas, é muito antiga e desde cedo povoada pelo homem. De facto, Alcáçovas situa-se no antigo itinerário romano que ligava Ebora (Évora) a Salacia (Alcácer do Sal). Após os conflitos entre Mouros e Cristãos, Alcáçovas foi repovoada em 1259, e já em 1290 o rei D. Dinis mandou reconstruir um dos castelos para servir de morada, reconhecendo a sua importância e beleza. Alcáçovas tem o seu nome na história por aqui ter sido assinado o Tratado das Alcáçovas, a 4 de Setembro de 1479, colocando fim à Guerra de sucessão de Castela (1479-1480), garantido à Coroa Portuguesa o senhorio da Guiné, Madeira, Açores e a conquista do Reino de Fez, no norte de África, desistindo o Rei Afonso V para sempre das suas pretensões ao trono de Castela.

Museu do chocalho – Alcáçovas

Museu dos chocalhos

Tem em exposição permanente cerca de 3000 chocalhos, alguns dos quais multi-centenários, e diversas ferramentas da colecção privada do mestre João Chibeles Penetra, e que pretendem manter vivas as memórias de uma das mais importantes industrias artesanais do concelho. No meio desta colecção há chocalhos que para além da sua forma ou tamanho se distinguem pelo seu brasão ou marca agrícola. Pois é, nem só as famílias nobres tinham o direito de utilizar brasão… Os animais também através do seu chocalho.

Museu Rural – Alcáçovas

Museu Rural - AlcáçovasMuseu Rural da Casa do Povo de Alcáçovas foi Inaugurado em 5 de Agosto de 1951. A fundação do Museu Rural deve-se, fundamentalmente, ao empenho e trabalho de Bento Caldas, um delegado do Instituto Nacional do Trabalho. Este teve ainda o precioso auxílio de Exmo. Senhor Luis Fragoso Fernandes (presidente da Assembleia Geral da Casa do Povo de Alcáçovas), e do artista Capela e Silva.

O objectivo da criação deste e outros museus rurais foi dar oportunidade a artista ignorados, fazer alastrar a arte rústica por todo o Alentejo, com o desejo que neles figurassem, não apenas artefactos da arte embrionária, natural, espontânea ou tradicional, ma também tudo o que fosse expoente de avanço, e que constituísse alvo a atingir por aqueles que não faziam melhor, porque nunca viram melhor.

Este museu rural é o repositório de actividades, de costumes, e das características locais. Ali está tudo o que se relacionava com o povo: a arte, os utensílios de trabalhos, costumes, e indumentária. O Museu Rural, cujo acervo é constituído por património de arte popular apresentando um acervo de peças de “grande qualidade” que retratam a vida rural, principalmente entre 1940 e 1960.

Igreja Matriz de São Salvador – Alcáçovas

Igreja_Matriz_do_Salvador_de_Alcáçovas_(pormenor_da_fachada)

A Igreja Matriz do Salvador de Alcáçovas, em Portugal, é uma igreja do século XVI (1530-1535) e tem a sua origem na capela do antigo castelo que data de 1308. Primeiro edifício do estilo templo-salão é um excelente exemplar da convivência entre o Renascentista e o Barroco. Nesta Igreja podemos visitar o Panteão dos Henriques e apreciar um conjunto de quatro leões de madeira da Índia oferecidos por Vasco da Gama ao Senhor de Alcáçovas. Tem quatro capelas laterais, um baptistério e uma grandiosacapela-mor, no tecto da qual podemos observar um conjunto de brasões dos benfeitores da construção do edifício. De salientar as armas reais de D. Manuel I e as armas da Santa Sé. No corredor central da Igreja podem-se admirar os túmulos dos vários Senhores de Alcáçovas.

Paço dos Henriques – Alcáçovas

paço dos henriquesPovoação de fundação muito antiga, Alcáçovas situa-se sobre vestígios da via romana que ligava Ebora Liberalitas Iulia (Évora) a Urbs Imperatoria Salacia (Alcácer do Sal), derivando o seu nome da designação árabe Al-qacabâ para “cidadela fortificada”, tendo sido repovoada em 1259 por D. Martinho, Bispo de Évora, que lhe concedeu foral, antes de D. Afonso III (1210-1279) a elevar a vila após incluí-la nos bens da Coroa. O seu posicionamento estratégico no território português, assim como a adaptação, por iniciativa de D. Dinis (1261-1325), de um dos castelos a residência real, e a obtenção, das mãos de D. Afonso V (1432-1481), do primeiro senhorio de Alcáçovas, por parte de D. Fernando Henriques, foram, certamente, razões suficientes para que o “Paço dos Henriques” fosse palco de múltiplas cerimónias de assinalável envergadura e importância política e social. Uma relevância acentuada quando da assinatura do Tratado de Alcáçovas, em 1479, que pôs termo à guerra de sucessão da coroa castelhana.

A par da casa, propriamente dita, a classificação abrange a área ajardinada e a capela de Nossa Senhora da Conceição edificada no século XVII, para a qual foi necessário remodelar profundamente a área habitacional.

Igreja da Misericórdia de Alcáçovas

igreja-da-misericordia-de-alcacovas-2-1Obra original do reinado de D. João III, o seu início verificou-se no dia 13 de Junho de 1551. O templo actual oferece características setecentistas e substituiu, decerto, o primitivo por motivos ignorados. De frontaria cunhada de granito, na linha do oriente, tem portal adintelado, de calcário branco, grupo de janelas e grande luneta do coro, alteada por frontão triangular que termina, ao norte, pelo campanário com sino de bronze fundido, de cruz estrelóide e o cronograma de 1749.

No seu interior, a capela-mor é guarnecida por interessante retábulo barroco de talha dourada (meados do século XVIII). Emparelhado na rua e correndo para o lado Norte, fica o Hospital, também antigo. O edifício sofreu importantes melhoramentos no tempo de D. Maria II, assinaláveis na fachada por guarnições de esgrafitos florais e grades férreas, fundidas e, no paquife datado de 1864, que envolve o escudo régio, coroado e de mármore branco, que enobrece o corpo do piso principal e é obra setecentista, assim como a portada, no todo semelhante à da Igreja.

Capela N. S.ª da Conceição “Capela das Conchas” – Alcáçovas

capela das conchasFundada em terrenos sobranceiros ao paço e adquiridos por contestação com a Câmara, pelo donatário D. Henrique Henriques, em 1622, está integrada nos velhos jardins da casa, constituindo no todo murado, um longo paralelogramo que delimita as ruas do Paço, na época chamada de D. Fernando e a dos Ciprestes. A capela, orientada para o lado do ocidente, tem uma discreta frontaria caiada de branco mas que denuncia ter sido decorada, totalmente, por elementos conchóides, calcários e de cerâmica como os subsistentes na empena triangular e no campanário, de nítida inspiração industânica.

O Jardim oferece, igualmente, grande interesse. Várias obras similares, da construção de D. João Henriques, adornam as paredes e nichos, pilares, alegretes tanque e varandins. O conjunto mais importante, é sem dúvida, o constituído junto ermida e da porta torreada, valorizado pelo grande painel com uma figura equestre do pai do fundador do parque, D. João Henriques, 5º Senhor de Alcáçovas, que morreu após a Batalha de Alcácer-Quibir, prisioneiro dos mouros, em 1582.

Ermida de São Pedro de Sequeiras – Alcáçovas

Ermida de são pedroA ermida de São Pedro de Alcáçovas foi fundada nas primeiras décadas do século XVI, havendo notícias da sua existência desde 1536. A obra de edificação foi patrocinada por Luísa Rodrigues, viúva de Luís de Mira de Sequeira, fidalgo da vila. A sua estrutura, de planimetria rectangular, desenvolve-se longitudinalmente, sendo composta pelos volumes da nave e da capela-mor, que dá acesso à sacristia. A fachada principal é precedida por nártex de três arcadas, rematado por frontão com enrolamento e campanário, sem sino, ladeado por pináculos. O portal de acesso ao interior do templo, arquitravado, é ladeado por duas janelas. O interior apresenta uma diferenciação dos espaços da nave única, de planta rectangular, e da capela-mor, de secção quadrangular. Os tramos da nave são marcados por pilastras e a abóbada de berço que cobre o espaço é decorada com estuques policromados, que substituem os frescos que primitivamente a decoravam.

Ermida de São Teotónio – Alcáçovas

ermida de são teotónioFundada por D. Teotóneo Manuel, presumivelmente na década de 1650, junto das casas nobres da Travessa do relógio e de frontaria olhando, na época, o vastíssimo Rossio d’el-rei, conserva, em grande parte, a silhueta dos fundamentos, acrescentada, pela torre sineira de 1832, que substituiu o primitivo campanário do discreto terraço. A frente é formada por um só arco pleno, flanqueado por duas atarracadas colunas toscanas de alvenaria, assente em quatro degraus de granito, que forma um pequeno adro elevado protegido por gradeamento férreo, batido, de balaústres quadrados e cilíndricos, típicos de fins do séc. XVIII. O corpo superior da actual torre – que acompanha os volumes decorativos da parte arcaica -, acrescida de janela marmóreas, coro e da platibanda guarnecida por urnas flamejantes. A destacar a cúpula pintada a fresco da capela-mor (sécs. XVII/XVIII) e o Presbitério, decorado por pinturas murais, apainelados de madeira e de tela, talha dourada e rodapé azulejar, policromo, incluindo o frontal de altar, de temática floral e geométrica (séc. XVII).

Ermida de São Geraldo – Alcáçovas

ermida de são geraldoEsta pequena ermida, localizada na parte oriental da vila, foi fundada em 1599 por uma comissão de moradores. Após um período de algum abandono, foi recuperada e reaberta ao culto em 1941, recebendo actualmente as festas da freguesia no dia 15 de Agosto. Encontra-se edificada num terreno aprazível e desimpedido, com seus muretes de propriedade eclesial, orientada ao poente e de silhueta bastante pitoresca, de alvenaria de aio, formada por alpendre de campanário axial, de arcos plenos, com bancos para os peregrinos, corpo de nave emparelhado com gigantes terminados por agulhas piramidais, e abside quadrada, de telhado de linhas radiadas ornamentado por uma urna estilizada.

Ermida do Senhor da Pedra – Alcáçovas

ermida do senhor da pedraAo sul do Convento de N.ª Sr.ª da Esperança e no sopé do monte da Esperança ergue-se esta ermida, edificação ulterior a 1758 que assinalava, desde o século XVI, segundo se admite, a localização do Cruzeiro do mosteiro. Aqui encontravam-se os fiéis das diversas confrarias laicas, quando das peregrinações regionais. O templo encontra-se dentro da cerca religiosa, defrontando um velho arco de tijolo, redondo, antigamente engalado por acrotérios pinaculares e cruz central.

O interior compõe-se de modestíssima nave de planta rectangular, com tecto de meio canhão e alçados lisos, caiados de branco. Lateralmente rasgam-se dois nichos vazios, e o altar-mor, aberto por arco mestre redondo, decorado pelo emblema domínico, é concebido num vão de cilindro cortado, apenas composto pelo cruzeiro da primitiva ermidinha de N.ª Sr.ª da Graça, obra marmórea assente em fustes de capitel jónico. O Calvário, de pedra mais fina e bem esculpida em alto-relevo, é solidário com a cruz de meias canas, recoberta por pontas de capuchos entrançados, obra bem definida do espírito regional tardo-manuelino e da época de D. João III.

Convento de N.ª Sr.ª da Esperança – Alcáçovas

Convento de N.ª Sr.ª da EsperançaIntegrado na Ordem de S. Domingos, o convento de N.ª Sr.ª da Esperança teve os seus primórdios na ermida de manuelina de N.ª Sr.ª da Graça, que havia sido construída no alto da Serra de Alcáçovas, a cerca de 3km de distância ao norte da vila. Os milagres atribuídos à Virgem da Esperança, nas centúrias passadas alcançaram grande projecção e muitos dos eventos sobrenaturais foram autenticados por pessoas gradas, como o Bispo de Fez D. Fr. Manuel dos Anjos e outras. O edifício conventual, construído no mais elevado cabeço da herdade, com domínio de paisagem grandiosa peculiar dos nossos sítios, oferece pitoresca e garrida silhueta nos seus volumes recortados no horizonte, alvos de cáio com toques populistas de escaiolas coloridas.

A possante torre, quadrada, delimitando em andares o bloco religioso, foi terminada no ano de 1684, data que subsiste embebida em tabela barroca na face oriental e tem quatro olhais capeados de cantos de mármore: apenas conserva um sino de bronze, datado de 1743, e é envolvida por varandim de grelhas de tijolo, dispostas em rectângulos.

Ermida de São Francisco – Alcáçovas

Ermida de São FranciscoEdificada no antigo Rossio D’el-rei, desconhece-se, todavia, a época exacta da sua fundação, remontável a alvores do reinado de D. João III, porquanto já existia no ano de 1537. Vestígios desse período subsistem nos acrotérios encordados, piramidais, da fachada, e na pia de água benta, de secção octogonal, peças marmóreas e da arte tardo-manuelina. O edifício sofreu várias reconstruções e perdeu, em absoluto, o carácter primitivo, quinhentista, em data avançada do século XVIII, na altura da sua adaptação para sede da Irmandade da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco, nome porque, na vila, passou a ser designada até aos nossos dias, apesar da mesma confraria ter sido extinta em 1880. As fachadas têm frontões triangulares.

O corpo da nave, alegre, airoso e de planta rectangular, apenas conserva de interesse a abóbada de meio canhão, ornamentada, completamente no sistema artístico alcaçovense, por esgrafitos de caixotões quadrangulares, intervalados por cruzetas de Santo André. A imagem titular de S. Sebastião, de lenho estofado e aparentemente do século XVI, encontra-se exposta no altar de São José, da Matriz do Salvador.

Torre do Relógio – Alcáçovas

Torre do RelógioConstrução antiga foi edificada pela Câmara em data desconhecida, com destino aos sinais públicos, junto das primitivas casas do Deão D. Teotóneo Manuel. De grossa alvenaria, em planta quadrangular e de dois andares, teve, nas suas origens, um terraço descoberto, de que subsistem as gárgulas de pedra, do tipo canhão e foi recoberto posteriormente, pela cúpula de meia laranja e remate de bandeira férrea, com guerreiro e cruz ladeada por coruchéus toscos. No campanil existem dois sinos de bronze fundido.

Outros Lugares a visitar em Viana do Alentejo

Pelourinho de Viana do Alentejo

Pelourinho-viana-alentejo

O Pelourinho de Viana do Alentejo localiza-se na freguesia de Viana do Alentejo (freguesia), no concelho do mesmo nome, distrito de Évora, em Portugal. Todo em mármore branco, consiste de um fuste redondo sem capitel e de uma base cúbica. O fuste é em canelado torto do meio para a cima e liso do meio para o baixo, sendo envolto no meio por uma corda. Por esta razão, tem-se notado uma certa semelhança entre este e o Pelourinho de Estremoz. Foi construído no século XVI, provavelmente no seguimento do novo foral dado por Manuel I de Portugal à vila de Viana do Alentejo em 1517. Não é claro onde originalmente estivesse chantado. No século XX serviu de pilar dum alpendre no Matadouro Municipal. Pelo menos em 1986, senão antes, encontrava-se apeado e arrumado ao muro norte do Castelo de Viana do Alentejo. Foi posteriormente removido para o Estaleiro Municipal 38° 20′ N 8° 0′ W onde ainda se encontrava em 2000. Entretanto foi reconstruído e encontra-se presentemente exposto no antigo Paço do Concelho 38° 19′ N 8° 0′ W, à Praça da República.

Lista de outros lugares em Viana do Alentejo

  • Convento de Nossa Senhora da Piedade ou de São Francisco, Viana do Alentejo.
  • Paço Real ou Paço dos Henriques, Viana do Alentejo.
  • Capela do Cruzeiro, Viana do Alentejo.
  • Igreja da Mesiricórdia, Viana do Alentejo.
  • Ermida de São Sebastião, Viana do Alentejo.
  • Ermida de São Vicente, Viana do Alentejo.
  • Oratório do Calvário, Viana do Alentejo.
  • Ruínas do Convento de Jesus, Viana do Alentejo.
  • Ruínas da ermida de São Pedro, Viana do Alentejo.
  • Fonte da Renascença, Viana do Alentejo.
  • Fonte das Freiras, Viana do Alentejo.
  • Fonte da Cruz, Viana do Alentejo.
  • Chafariz da Praça da Palha, Viana do Alentejo.
  • Santuário de Nossa Senhora d’Aires, Viana do Alentejo.
  • Igreja de São Vicente, Viana do Alentejo.
  • Castelo de Viana do Alentejo.